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Palacete Garibaldi

Tijuca e Rua Garibaldi

Tijuca, na linguagem dos índios, significa “terreno lamacento”.

Nesta área montanhosa, estabeleceram-se os descendentes do fundador da cidade, Salvador Correa de Sá, e os jesuítas, na segunda metade do século XVI.

As matas foram derrubadas para o plantio da cana-de-açúcar. Os jesuítas construíram dois engenhos; daí as denominações dadas às suas redondezas de Engenho Novo e Engenho Velho. Esses engenhos eram grandes extensões de terra cultivadas por escravos.

Com o tempo, esses vastos latifúndios forma sendo desmembrados em chácaras, ocupadas por pessoas de posição social elevada. No início do século XX, as áreas das chácaras, que ainda eram vastos terrenos, passaram a ser alvo de grandes negócios.

Proprietários de chácaras como Radmaker, os França e a Baronesa de Ibiapaba, abrigaram ruas em suas propriedades, resultando nas ruas Radmaker, Garibaldi, Dona Delfina e várias outras. Graças a atuação dos proprietários de terra que repartem suas chácaras, a Tijuca vai transformando sua paisagem, consolidando-se definitivamente como bairro, tornando-se pela metade do século centro de toda Zona Norte.

A rua Garibaldi se encontra no local conhecido até hoje como Muda, cuja denominação está ligada aos animais que puxavam os bondes. Chegando a determinado local, os animais eram alimentados e substituídos, ou seja, “mudados” por outros. As ruas da região foram abertas por antigos donos de grandes chácaras ou terrenos que serviam para cocheiras.

 

Um ambiente musical

No mapa da música popular brasileira, figuram com certeza as ruas da Tijuca e seus arredores. Desde os tempos dos saraus familiares, nas chácaras enormes e aristocráticas do século XIX, a música esteve presente no cotidiano tijucano. A tijuca conheceu muitos circos, e tudo indica que foi nos pavilhões de circos de cavalinhos que o tijucano ouviu música fora de casa pela primeira vez.

O Flor do Tempo exibia-se em chás dançantes, com instrumentistas e cantores de níveis muito diversos. Nesta época surgiu no bairro o grupo Bando de Tangarás, que tinha entre seus integrantes os jovens Noel Rosa e João de Barro, Carlos Braga (Braguinha) e Almirante.

Hoje, mais para os lados da Muda, a Tijuca vive um momento musical bem interessante, por conta de toda a movimentação em torno do bloco Nem Muda Nem sai de Cima, liderado pelos compositores Aldir Blanc e Moacyr Luz. Tal agremiação tem como ponto de encontro o Bar Da Dona Maria, na rua Garibaldi. A história musical do bairro serviu de tema do samba do bloco para o carnaval de 2003, intitulado, Tijuca, berço da MPB ou Que turma maluca essa da Tijuca.

Além dos ensaios que antecedem o desfile, pouco antes do carnaval, o Bar da Dona Maria tem sido um “point” de reuniões musicais, às quais comparecem músicos e intelectuais de diversos outros bairros da cidade.

A Tijuca reúne atualmente três das mais importantes escolas de samba do Rio de Janeiro, a Unidos da Tijuca, a Império da Tijuca e Acadêmicos do Salgueiro.

 

Palacete Garibaldi

A edificação de gosto medieval francês, projeto de Gaspar José de Souza Reis, datado de 1921, inclui-se entre um dos poucos exemplares desta tipologia de parcelamento, implantação e solução arquitetônica residencial da década de 1920, ainda remanescente no tradicional bairro da Tijuca. Pertenceu ao empresário Mário Bianchi, dono das viações de ônibus Carioca, Suburbana e Cruzeiro do Sul e de uma fábrica de carrocerias de ônibus.

Mário Bianchi veio de Trieste para o Brasil, e aqui se casou em 1918 com a Senhora Prazeres, com quem teve três filhos cariocas: Mário, o mais velho, Trieste e Vera, a caçula.

O imóvel ocupa lote plano na esquina das ruas Conde de Bonfim e Garibaldi, com fundos para a Avenida Maracanã e definido pelo belo muro com soco em pedra que sustenta gradil de ferro fundido com desenho influenciado pela art nouveau. Outro ponto de destaque é o passeio circundante à casa, em mosaico de pedras portuguesas em preto e branco de belo desenho.

O imóvel possui uso original residencial unifamiliar. O programa adotado pelo autor do projeto, organiza-se em dois pavimentos. O primeiro pavimento abriga a área social e área de serviço. Nota-se ainda a presença de varandas com acesso realizado pela sala de visitas, sala de jantar e pela copa. O segundo pavimento abriga área íntima, que se articula a a partir das circulações verticais, ou seja, as escadas social e de serviço.

Há ainda um terceiro nível, relativo ao mirante de planta octogonal por sobre a projeção da capela, determinando assim em termos de volumetria um torreão ou rotunda. Situada no fundo do lote, no projeto inicial, afastado da casa principal encontra-se edícula de um pavimento que abriga garagem, lavanderia, quatro quartos e banheiro de empregados.

A casa em termos de volumetria está organizada em dois volumes articulados a partir do torreão (vestíbulo, capela e mirante) sendo este coroado por “chapéu” em ardósia com beiral encachorrado ao gosto medieval francês. O imóvel conta com decorativismo eclético, evidenciando na serralheria (gradis), de inspiração art nouveau, onde se destaca o fechamento do jardim de inverno.

Quanto aos vãos, notam-se três tipos distintos, ou seja, em verga reta e arco peno no torreão e em arco abatido nas fachadas principais. Estes contam ora com sobreverga em tijolo maciço aparente, brincos em argamassa e peitoril ressaltados em massa (vãos com verga em arco pleno e abatido), ora com tijolo aparente armado a 45° (vãos em verga reta no torreão). Há ainda no vão de porta-sacada (fachada voltada para a rua Garibaldi) sobreverga que simula pedra.

Quanto ao fechamento dos vãos, notam-se esquadrias de duas e três folhas, externamente em veneziana de madeira e internamente em caixilharia de vidro, à exceção das esquadrias de porta-sacada da sala de visitas (voltada para a rua Conde de Bonfim) em almofadas, caixilharia de vidro e bandeira fixa do mesmo material.

A cobertura é feita por telhado revestido em telhas francesas, arrematado e encachorrado.